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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Filhos


"Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo 
de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar
nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos
e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo!
Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode

ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da
incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder
algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? 
Foi apenas um empréstimo!" 

José Saramago

quinta-feira, 17 de março de 2011

Família & Amigos


"Procure compreender e perdoar incompreensões,
ciúmes e a intolerância de todos aqueles que a Divina
Providência colocou sob o mesmo teto que o seu.
Nem sempre nossos parentes são nossos amigos.
O grande sábio Salomão já dizia que:
“Há amigo mais chegado que um irmão.”
A abençoada lei de amor e justiça, que é a reencarnação,
nos proporciona quitar débitos com os mesmos adversários
de ontem, vivendo hoje conosco sob o mesmo teto na
condição de pais, mães, filhos, irmãos e cunhados...
No lar, ao lado de almas queridas, encontramos também
antigos desafetos, que a sabedoria divina coloca ao nosso
lado como oportunidade de reconciliação e resgate.
Diante do parente mais difícil, necessário se faz o exercício
da compreensão, da paciência e do perdão.
“Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso
adversário, enquanto estais a caminho...” aconselhou Jesus.
Aproveite a oportunidade de caminharem juntos, pois
talvez ao longo do percurso encontrarão o momento
mais adequado e propício para esta reconciliação.
Emmanuel nos alerta que:
“Toda antipatia, aparentemente a mais justa, deve
morrer para dar lugar à simpatia.”
Perdoe sempre, pois à carne só enxergamos uma face
da moeda de nossas existências. A outra face só nos
será revelada quando estivermos no mundo espiritual.
Por isso, muitas vezes pensamos ser vítimas quando,
na realidade, somos algozes.
Nunca se esqueça de que não tem os parentes que
sonhou e sim aqueles que merece.
Estamos situados na família certa, junto das pessoas
mais adequadas à nossa evolução.
Esforce-se para amá-los, tendo para com eles, os nobres
sentimentos de perdão, tolerância, resignação e paciência."

Sergito Souza Cavalcânti

domingo, 21 de novembro de 2010

Família

"Família é prato difícil de preparar. 
São muitos ingredientes. 
Reunir todos é um problema, principalmente no 
Natal e no Ano Novo. 
Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma
família exige coragem, devoção e paciência. 
Não é para qualquer um. 
Os truques, os segredos, o imprevisível.
Às vezes, dá até vontade de desistir. 
Preferimos o desconforto do estômago vazio. 
Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação
sobre o que se vai comer e aquele fastio. 
Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre 
arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o
apetite. O tempo põe a mesa, determina o número 
de cadeiras e os lugares. 
Súbito, feito milagre, a família está servida. 
Fulana sai a mais inteligente de todas. 
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e 
comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? 
Solou, endureceu, murchou antes do tempo.
Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. 
Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. 
Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos 
e veio aqui me fazer companhia. 
Como saiu no álbum de retratos? O mais prático 
e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? 
O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem
for, não fique aí reclamando do gênero e do grau 
comparativo. Reúna essas tantas afinidades e 
antipatias que fazem parte da sua vida. 
Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas?
Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, 
a faca mais afiada e tome alguns cuidados. 
Logo, logo, você também estará cheirando a alho
e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é 
prato que emociona. E a gente chora mesmo. 
De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: 
temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. 
Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, 
que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos 
parecem estranhas ao paladar tornam a família 
muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas. 
Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é 
um verdadeiro desastre. 
Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de
ser muito bem pesado, muito bem medido. 
Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. 
Principalmente na hora que se decide meter a colher. 
Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande 
amiga minha desandou a receita de toda a família, 
só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que
ainda tem gente que acredita na receita da família 
perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à 
Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle
Meuniere; Família ao Molho Pardo, em que o sangue 
é fundamental para o preparo da iguaria. Família é 
afinidade, é a Moda da Casa. E cada casa gosta de 
preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. 
Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. 
Há também as que não têm gosto de nada, seriam 
assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só
para manter a linha. Seja como for, família é prato 
que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. 
Uma família fria é insuportável, impossível de se 
engolir. Enfim, receita de família não se copia, se 
inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, 
improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. 
A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e
conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. 
Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente 
na cabeça de um velho já meio caduco como eu. 
O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, 
por mais sem graça, por pior que seja o paladar, 
família é prato que você tem que experimentar e 
comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para
etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou 
na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. 
Aproveite ao máximo. Família é prato que, 
quando se acaba, nunca mais se repete." 

Francisco Azevedo.