terça-feira, 11 de agosto de 2015

Elo perdido ...


Todos os anos exterminamos comunidades indígenas, milhares de hectares de florestas e até inúmeras palavras das nossas línguas. 
A cada minuto extinguimos uma espécie de aves e alguém em algum lugar recôndito contempla pela última vez na Terra uma determinada flor.  
Konrad Lorenz não se enganou ao dizer que somos o elo perdido entre o macaco e o ser humano. Somos isso, uma espécie que gira sem encontrar o seu horizonte, um projeto por concluir. 
Falou-se bastante ultimamente do genoma e, ao que parece, a única coisa que nos distancia na realidade dos animais é a nossa capacidade de esperança. 
Produzimos uma cultura de devastação baseada muitas vezes no engano da superioridade das raças, dos deuses, e sustentada pela desumanidade do poder econômico. 
Sempre me pareceu incrível que uma sociedade tão pragmática como a ocidental tenha deificado coisas abstratas como esse papel chamado dinheiro e uma cadeia de imagens efêmeras. 
Devemos fortalecer, como tantas vezes disse, a tribo da sensibilidade...

José Saramago - Revista Universidad de Antioquia - 2001

2 comentários:

Socorro Melo disse...


Olá, Sara!

Depois de longa ausência, estou voltando. É bom estar aqui. Uma constatação essa do Jose Saramago. Também fico me perguntando onde vamos chegar diante de tanto relativismo e insensibilidade.

Grande abraço
Socorro Melo

Denise disse...

O sentimento é o que levará o homem a não destruir, a compreender o outro e que não somos independentes, como muitos pensam ser. Tudo pertence a uma cadeia evolutiva, que ao ser quebrada, ocasiona desastres. Muita paz!